Se não for tratada adequadamente, a gengivite pode evoluir para periodontite, uma fase mais grave da doença gengival. A abordagem farmacêutica é fundamental para detetar sinais precoces e identificar os fatores de risco, a fim de recomendar tratamentos preventivos ou encaminhar diretamente para um dentista, caso se trate de um caso mais avançado.
O pessoal farmacêutico é de grande ajuda na hora de promover bons hábitos de higiene oral e reduzir possíveis complicações que não afetam apenas a cavidade oral, graças ao acompanhamento dos sintomas.
Fundamentos da gengivite e o papel da farmácia
A gengivite é uma resposta do organismo à acumulação de placa bacteriana na borda gengival. A disbiose do biofilme gera uma resposta imunitária caracterizada por vermelhidão, inflamação e sangramento das gengivas durante a escovagem dos dentes. Controlar o biofilme é a medida mais eficaz para a prevenir e reverter nas fases iniciais.
A farmácia é o primeiro local a que muitos doentes recorrem quando sentem algum desconforto. De acordo com o Guia Terapêutico Antimicrobiano do Sistema Nacional de Saúde (SNS), o tratamento da gengivite deve centrar-se em medidas locais de higiene oral e controlo do biofilme, evitando a prescrição desnecessária de antibióticos em casos leves ou moderados. Por isso, qualquer abordagem por parte dos profissionais de farmácia deve ter como objetivo reduzir a carga bacteriana supragingival e melhorar os hábitos de higiene oral para evitar que a doença evolua para periodontite.
Protocolo de intervenção farmacêutica em caso de suspeita de gengivite
Fase 1: Triagem e avaliação inicial
A intervenção da farmácia deve começar com uma série de perguntas simples que permitam ter uma ideia do historial clínico da pessoa: duração dos sintomas, frequência dos mesmos, hábitos atuais de higiene oral, etc. É muito importante saber se existe sangramento das gengivas ao escovar os dentes, inflamação ou vermelhidão, se notou sensibilidade gengival recentemente ou halitose persistente, bem como possíveis desconfortos ao mastigar, febre ou mobilidade dentária.
Em seguida, é importante identificar possíveis fatores de risco que possam causar ou agravar a gengivite, como diabetes mellitus, tabagismo, gravidez ou alterações hormonais, a toma de certos medicamentos de uso crónico ou o stress.
Fase 2: Classificação do risco
Depois de recolhida toda a informação, é necessário avaliar a gravidade de cada caso. Um risco baixo seria uma gengivite leve e sem doenças associadas, com sangramento leve ocasional e higiene deficiente a corrigir, enquanto um caso de risco moderado apresenta sangramento frequente, placa visível, tabagismo ou diabetes controlada.
Em alto risco, já existem sinais de periodontite. Quando se suspeita de mobilidade dentária, o problema pode ser bastante grave, assim como quando não se nota melhoria após 10 ou 14 dias, mesmo mantendo uma boa higiene oral. Recomenda-se que o paciente seja avaliado pelo seu dentista o mais rapidamente possível para realizar o tratamento mais adequado.
Fase 3: Intervenção farmacêutica
Uma parte essencial da intervenção farmacêutica consiste em ensinar os doentes a cuidar melhor da sua boca, aplicando a técnica correta de escovagem e utilizando a Escova dental adequada para não danificar as zonas inflamadas. A limpeza interdental com fio dental ou Escovas dentais também deve fazer parte da rotina diária.
Pastas dentífricas terapêuticas
Existem pastas dentífricas que, para além de manterem os dentes limpos, podem prevenir problemas adicionais. As adequadas para casos de gengivite contêm fluoreto de sódio, agentes antimicrobianos ou pH neutro ou ligeiramente alcalino , para que o ambiente seja menos favorável às bactérias orais.
Elixires bucais antissépticos
Para além dos produtos básicos de higiene oral já mencionados, os elixires bucais antissépticos são um complemento essencial em casos de gengivite ativa, embora seja importante lembrar que estes não substituem a escovagem nem o uso do fio dental. Os principais contêm clorexidina entre 0,12% e 0,2%), cloreto de cetilpiridínio (CPC) ou óleos essenciais.
Fase 4: Acompanhamento dos sintomas
É aconselhável que os farmacêuticos acompanhem o estado de saúde dos clientes, por exemplo, perguntando se o sangramento gengival diminuiu ou desapareceu após um período de tempo razoável de utilização. Da mesma forma, podem esclarecer dúvidas sobre a técnica de escovagem e verificar se os elixires bucais ou as pastas dentífricas estão a ser utilizados corretamente.
Mais uma vez, a equipa de farmácia deve avaliar se há uma melhoria progressiva ou se os sinais de alarme persistem. Nesse caso, recomenda-se novamente o encaminhamento a um especialista.

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