Durante a menopausa, a diminuição dos estrogénios pode provocar complicações como retração das gengivas, boca seca, ardor e mobilidade ou perda dos dentes. As alterações hormonais também alteram o equilíbrio da microbiota oral, e fatores como a ansiedade ou deixar de ir ao dentista aumentam o risco. Para prevenir estas situações, é importante manter uma boa higiene oral, ir ao dentista regularmente e coordenar-se com o/a ginecologista, entre outras práticas.
Relação entre a menopausa e a saúde oral
Os estrogénios desempenham um papel importante em múltiplos processos do organismo, entre os quais regular o metabolismo ósseo, manter o colagénio e os tecidos moles, modular a resposta inflamatória e estimular a produção de saliva. Durante o período de transição que ocorre antes da menopausa, os níveis destas hormonas no corpo vão diminuindo gradualmente, o que acarreta uma série de alterações fisiológicas.
Na boca, esta falta de estrogénios pode acelerar a perda óssea do osso alveolar que sustenta os dentes; reduzir tanto a quantidade como a qualidade da saliva e a sua capacidade de proteger a cavidade contra bactérias; enfraquecer os tecidos moles, resultando em inflamação e sangramento das gengivas; e alterar a integridade do epitélio bucal.
A estas mudanças podem juntar-se ansiedade, depressão e baixa autoestima, que podem desmotivar os cuidados com a boca, bem como alterações na alimentação que aumentam o consumo de açúcar.
Sintomas orais durante a menopausa
Embora cada mulher viva a menopausa de forma diferente, existem sintomas orais que surgem frequentemente nesta fase: desde o afinamento da mucosa oral e a retração gengival até à candidíase e à mobilidade ou perda dos dentes. Reconhecê-los atempadamente ajuda a prevenir problemas mais graves e a receber o tratamento adequado.
1. Afinamento da mucosa oral
Os estrogénios participam na cicatrização e renovação dos tecidos. Quando os seus níveis diminuem, a mucosa oral torna-se mais fina e frágil, o que facilita o aparecimento de úlceras e lesões que, se não forem tratadas corretamente, podem demorar mais tempo a sarar.
2. recessão gengival
A gengiva retrai-se e deixa parte da raiz do dente exposta, o que provoca maior sensibilidade dentária e risco de cáries radiculares. Está associada a inflamação crónica e perda óssea.
3. Xerostomia (boca seca)
A boca seca é comum na menopausa, uma vez que as alterações hormonais afetam as glândulas salivares. Provoca dificuldade em falar ou engolir, mau hálito persistente e aumento das cáries e das infecções fúngicas.
4. Alterações no paladar
Pode surgir um sabor metálico, diminuição da perceção do paladar e aumento dos sabores amargos ou salgados. Estas alterações estão associadas a mudanças nos nervos e na saliva.
5. Sensação de ardor na boca
Também conhecido como síndrome da boca ardente , causa uma sensação de ardor na língua, no palato e nos lábios, sem que haja lesões visíveis. Parece estar relacionada com alterações hormonais, bem como com fatores neurológicos e psicológicos, como a ansiedade ou o stress.
6. Candidíase oral
A boca seca e a diminuição das defesas favorecem o crescimento de Candida albicans, que produz placas brancas que se desprendem, vermelhidão, dor ou ardor, e podem surgir por baixo das próteses.
7. Mobilidade e perda dentária
As alterações hormonais favorecem a perda óssea, bem como o aparecimento de doenças periodontais, principais causas da mobilidade ou perda dos dentes devido aos danos causados nos tecidos que os sustentam.
Alterações hormonais e doença periodontal
Em condições normais, na boca coexistem, em equilíbrio, uma grande variedade de microrganismos que mantêm a saúde. Quando ocorre a menopausa, esse equilíbrio é alterado pela diminuição da saliva, alterações no pH e na resposta imunitária. Isso favorece o crescimento de bactérias associadas à periodontite, como a Porphyromonas gingivalis, Treponema denticola e Tannerella forsythia.
As mulheres apresentam doenças gengivais com maior frequência do que os homens, sendo as alterações hormonais uma das principais causas. Além disso, dado que existe uma relação entre a periodontite e outras doenças, é importante diagnosticá-la e tratá-la atempadamente.
O ideal é incluir na rotina de higiene oral produtos específicos, como GingiKIN B5, formulados para cuidar da saúde das gengivas e ajudar a prevenir a cárie. Pode tornar-se um grande aliado nesta fase da vida da mulher.
Como cuidar da sua saúde oral durante a menopausa
1. Boa higiene oral
Escovar os dentes 2 ou 3 vezes por dia com uma pasta dentífrica com flúor entre 1.000 e 1.500 ppm, bem como usar fio Escovas dentais ou Escovas dentais todos os dias para controlar a placa bacteriana onde a Escova dental não chega.
2. Alimentação equilibrada
A alimentação é fundamental. Reduzir o consumo de açúcares, sobretudo entre as refeições, e aumentar a ingestão de frutas, legumes e alimentos ricos em cálcio e vitamina D para cuidar dos ossos. Beber água suficiente para evitar a secura na boca.
3. Hábitos saudáveis
Limitar o consumo de álcool e evitar o tabaco, uma vez que ambos aumentam o risco de doença periodontal e cancro oral. Além disso, manter uma boa hidratação, descansar adequadamente e controlar o stress favorecem a saúde oral durante a menopausa.
4. Consultas ao dentista
Vá ao dentista pelo menos a cada 6 meses para fazer check-ups e limpezas profissionais. É importante antecipar a próxima consulta se surgirem sinais de alerta, como sangramento das gengivas, dor nos dentes ou nas gengivas, mobilidade dentária e boca seca.
5. Coordenação com o ginecologista
É importante referir os sintomas orais durante as consultas médicas. Em alguns casos, a terapia de substituição hormonal prescrita por um especialista pode ser benéfica para a saúde oral.

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