A saúde oral em pessoas idosos é uma prioridade de saúde, uma vez que o envelhecimento, as doenças crónicas e os medicamentos podem aumentar o risco de infeções e outros problemas no organismo. Na farmácia, o melhor é seguir protocolos que tenham em conta as limitações físicas, o uso de próteses e outras condições antes de recomendar produtos de higiene oral. É claro que é essencial encaminhar o paciente ao dentista sempre que surjam sinais de alerta, para prevenir complicações.
Por que razão a saúde oral dos idosos é uma prioridade na área da saúde
Nos idosos, a higiene oral é fundamental precisamente devido às alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento. Os cuidados devem adaptar-se às necessidades reais de cada pessoa e contar com o apoio de diferentes profissionais de saúde, incluindo o pessoal de farmácia, que pode orientar e educar as pessoas na sua rotina fora do consultório.
Em pessoas com dependência grave, a higiene é assegurada pelos cuidadores na maioria dos casos. A falta de conhecimento sobre higiene oral, tanto nos doentes como nos cuidadores, realça a importância de realizar um acompanhamento e de fornecer informação contínua para garantir que os idosos mantenham uma boca saudável.
Riscos associados a uma higiene oral deficiente
Quando os cuidados de higiene oral são insuficientes, é comum desenvolver infeções respiratórias se as bactérias orais chegarem às vias respiratórias inferiores, diabetes mal controlada devido à influência da inflamação oral no equilíbrio do açúcar no sangue, bem como problemas cardiovasculares decorrentes da relação entre a inflamação das gengivas e a saúde cardíaca.
Além disso, é importante ter em conta que uma higiene oral deficiente também afeta a qualidade de vida das pessoas: causa dor, dificulta a mastigação e a deglutição, pode levar à desnutrição e até mesmo afetar a comunicação, a autoestima e a vida social.
Fatores que dificultam a higiene oral nos idosos
| Limitações físicas | A artrite e outras limitações da motricidade fina dificultam uma escovagem adequada dos dentes e favorecem a acumulação de mais biofilme dentário. |
| Alterações cognitivas ou neurológicas | Doenças como a doença de Alzheimer ou outras formas de demência afetam a memória e a coordenação necessárias para realizar as rotinas de higiene oral. |
| Alterações na saliva | Muitos medicamentos provocam secura na boca como efeito secundário, o que facilita o aparecimento de cáries e candidíase. |
| Utilização de próteses dentárias | As próteses requerem cuidados específicos que nem sempre são prestados da forma adequada. |
| Maior prevalência de doenças | Devido ao desgaste dos tecidos e às doenças crónicas, aumenta o risco de cáries radiculares e de doença periodontal. |
O papel da farmácia na higiene oral dos idosos
Os farmacêuticos são profissionais de saúde a quem as pessoas têm fácil acesso. A sua proximidade torna as farmácias um ponto-chave para a prestação de serviços preventivos que ajudam a reduzir a incidência de complicações orais: educação em higiene oral, orientação sobre os produtos adequados, detecção de sinais precoces de problemas bucodentais e, se necessário, encaminhamento para especialistas.
1. Educação e orientação personalizada
É importante fornecer aos idosos informações claras e fáceis de compreender sobre como escovar os dentes corretamente, tendo sempre em conta a sua idade, mobilidade e estado de saúde. Além disso, quais os produtos que podem ajudá-los a melhorar os resultados e os benefícios de manter uma rotina constante de higiene oral para a sua saúde geral.
2. Revisão da medicação prescrita
As pessoas idosas costumam tomar medicamentos regularmente e comprá-los sempre no mesmo local. Ao analisar o que está indicado na receita médica, os farmacêuticos podem antecipar problemas bucais, como a boca seca, e oferecer conselhos ou produtos que ajudem a reduzir os efeitos secundários antes que causem desconforto.
3. Detecção e encaminhamento para especialistas
Seja por observação ou porque os idosos partilham as suas preocupações relativamente a novos sintomas, como gengivas inflamadas, feridas ou desconforto persistente, na farmácia podem ser recomendados produtos específicos que ajudem a melhorar a higiene oral ou uma consulta ao dentista o mais rapidamente possível para receber tratamento antes que a situação piore.
Protocolos de atuação em farmácia
Para estruturar a intervenção farmacêutica no que diz respeito à higiene oral dos idosos, poderiam ser propostas as seguintes fases: avaliação inicial, educação e acompanhamento. Dispor de um pequeno historial de cada pessoa na farmácia, cumprindo sempre o disposto na regulamentação em vigor em matéria de proteção de dados, revela-se muito útil, assim como programar lembretes para facilitar o acompanhamento.
1. Avaliação inicial
Além de verificar os medicamentos prescritos, pode aproveitar para perguntar, quando os entregar, se sentem alguma dor ou se notaram sangramento nas gengivas ou boca seca recentemente. Também é importante saber se usam próteses dentárias e se sabem quais são os passos a seguir para uma boa higiene, para além dos seus hábitos de escovagem.
2. Sessões educativas personalizadas
De acordo com as necessidades da pessoa ou com as necessidades identificadas, o farmacêutico pode explicar como escovar os dentes corretamente e utilizar os acessórios dentários mais adequados para cada caso, recomendar produtos adicionais ou outros que facilitem a sua rotina de higiene, bem como informar sobre possíveis sinais de alerta.
3. Acompanhamento contínuo
Nas visitas posteriores à farmácia, pode perguntar-se se houve alterações na rotina, como estão a correr as coisas com os novos produtos de higiene oral ou se detectaram efeitos secundários dos medicamentos na cavidade oral. É sempre importante garantir que as recomendações são seguidas e ajustá-las conforme necessário.

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