A consulta não termina quando o paciente sai do consultório

Autor: Prof. Dr. Eduardo Fregnani

Cirurgião-dentista

Professor e Investigador

Quantos dentes temos

Na prática odontológica contemporânea, o atendimento não termina ao concluir a consulta clínica. A consulta odontológica é um processo contínuo, que se estende para além da consulta através de prescrições corretas, individualizadas e baseadas em evidências científicas.

A prescrição não é um ato administrativo, mas sim uma extensão direta do diagnóstico, do plano de tratamento e da responsabilidade profissional.

A prescrição odontológica como extensão do ato clínico e o seu valor.

Os estudos e as diretrizes em matéria de prevenção e tratamento dentário demonstram que a escolha aleatória de produtos de higiene oral, feita pelo próprio paciente ou orientada por fontes não qualificadas, compromete a previsibilidade dos resultados clínicos.

As pastas dentífricas e os agentes tópicos não são equivalentes entre si. Variam em termos de composição, concentração de princípios ativos, abrasividade, pH, presença ou ausência de tensioativos irritantes e capacidade real de exercer um efeito terapêutico ou preventivo.

Uma amostra não é um tratamento.

Entregar uma amostra pode ser útil como estratégia educativa ou de familiarização, mas não substitui a prescrição formal. A amostra, por si só, não garante a continuidade, a adesão nem a segurança.

Sem orientações claras sobre a duração do uso, a frequência, a indicação clínica e o objetivo terapêutico, o doente tende a substituir o produto por outro semelhante, muitas vezes inadequado para o seu perfil de risco.

A literatura é clara ao demonstrar que a eficácia dos agentes tópicos depende não só da formulação, mas também da utilização correta, durante o período adequado e no contexto clínico adequado.

A prescrição dentária formaliza este processo, reduz as ambiguidades e protege o tratamento contra decisões baseadas no marketing, na conveniência ou apenas no custo.

Autoridade profissional, adesão e previsibilidade

Quando o dentista faz uma prescrição explícita, assume o papel de referência técnica e clínica. O paciente compreende que essa escolha não é aleatória, mas baseia-se em critérios científicos, na avaliação individual e nas expectativas em relação ao resultado.

Isto reforça a adesão ao tratamento, reduz as substituições inadequadas e aumenta a previsibilidade dos resultados obtidos na consulta.

A prescrição também permite orientar adequadamente o paciente sobre os possíveis efeitos adversos transitórios, como alterações do paladar ou pigmentação extrínseca, evitando o abandono prematuro do protocolo por falta de informação.

Prescrever é cuidar

Prescrever é cuidar fora do consultório. É garantir que a estratégia iniciada na cadeira do dentista tenha continuidade de forma coerente no ambiente doméstico. É tornar a prevenção e a manutenção parte ativa do tratamento, e não uma responsabilidade delegada ao acaso.

Autor: Prof. Dr. Eduardo Fregnani
Cirurgião-dentista
Professor e investigador
São Paulo – Brasil

BIBLIOGRAFIA

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