A odontopediatria é o ramo da medicina dentária que se dedica ao cuidados das crianças desde a primeira dentição até à adolescência. Dado que a boca é um ponto de encontro entre funções vitais (respiração, alimentação, fala e desenvolvimento craniofacial), recomenda-se adotar uma abordagem interdisciplinar ao lidar com possíveis complicações orais que possam afetar outras partes do corpo.
Recomenda-se que o dentista pediátrico realize qualquer procedimento em colaboração com pediatras, nutricionistas, ortodontistas, terapeutas da fala e outros profissionais, para que a criança receba os cuidados necessários ao longo de todo o seu desenvolvimento.
- 1 Respiração, degluição e erupção dentária: coordenação entre o pediatra e o dentista pediátrico
- 2 A importância da odontopediatria e da nutrição na prevenção da cárie dentária infantil
- 3 Odontopediatria, ortodontia e ortopedia para a deteção precoce de maloclusões
- 4 O papel do dentista pediátrico na deteção, prevenção e encaminhamento
Respiração, deglutição e erupção dentária: coordenação entre o pediatra e o dentista pediátrico
Desde o nascimento, a boca está em constante mudança. A erupção dentária sobrepõe-se temporariamente a momentos-chave do desenvolvimento fisiológico e neuromuscular; por esse motivo, pediatras e odontopediatras devem trabalhar em coordenação para acompanhar o aparecimento dos dentes, a aprendizagem de hábitos saudáveis para os cuidados bucodentais e a forma como a criança respira e engole.
Por exemplo, a respiração nasal ajuda os maxilares a crescerem de forma equilibrada, enquanto a respiração oral pode causar discrepâncias ósseas e maloclusões. Da mesma forma, a deglutição atípica ou a interposição lingual podem causar anomalias no desenvolvimento dentário se não forem corrigidas a tempo.
É importante lembrar que a boca pode apresentar sinais precoces de doenças sistémicas, como anemia ou distúrbios do sistema imunitário: gengivas pálidas, lesões ulcerativas, etc. A coordenação conjunta de especialistas facilita a detecção precoce destas patologias e o encaminhamento para o especialista mais adequado o mais rapidamente possível.
Vários estudos demonstram que estes programas colaborativos ajudam tanto a reduzir a incidência de cáries nas crianças como a educar as famílias para que desenvolvam rotinas de higiene desde muito cedo.
A importância da odontopediatria e da nutrição na prevenção da cárie dentária infantil
De acordo com a Associação Espanhola de Pediatria (AEP) e a Sociedade Espanhola de Odontopediatria (SEOP), a amamentação não provoca cáries e, além disso, ajuda no desenvolvimento da dentição e numa melhor relação entre as mandíbulas. A alimentação que seguem desde pequenos tem implicações tanto no seu crescimento como na resistência dos tecidos orais.
A partir de agora, o consumo frequente de açúcares livres e de alimentos ultraprocessados pode constituir um fator de risco para o aparecimento de cáries dentárias, sobretudo nos primeiros anos de vida, quando se desenvolve a chamada caries da primeira infância (ECC). Isto não significa que devam seguir uma dieta restritiva ou muito seletiva, uma vez que tal poderia causar hipoplasia do esmalte ou carências nutricionais se não for devidamente gerida.
A colaboração entre dentistas pediátricos e nutricionistas é fundamental para definir planos nutricionais adaptados a crianças com elevado risco de cáries e outras complicações orais associadas a condições metabólicas. Além disso, o trabalho conjunto permite reeducar os hábitos alimentares no âmbito familiar com alternativas de baixo risco cariogênico. A dieta deve ser equilibrada e a rotina de higiene oral adequada à sua idade e necessidades.
Odontopediatria, ortodontia e ortopedia para a deteção precoce de maloclusões
Para além de prevenir a cárie dentária, é importante detectar atempadamente as maloclusões incipientes durante a infância, decorrentes de hábitos que alteram as forças que moldam os maxilares e os dentes: sucção digital persistente, uso prolongado de chupeta ou alteração dos padrões de deglutição. Se não forem corrigidos atempadamente, todos estes problemas podem implicar tratamentos complexos na adolescência.
Outro fator que influencia o desenvolvimento craniofacial é a respiração oral crónica, podendo gerar padrões de crescimento vertical ou estreitamento das arcadas dentárias. É possível detetá-la através do trabalho conjunto de dentistas pediátricos, ortodontistas, bem como de otorrinolaringologistas e terapeutas da fala, sendo capazes de corrigir estes problemas e orientar o crescimento da cavidade oral e dos maxilares. Optar por esta abordagem implica um menor investimento para as famílias.
O papel do dentista pediátrico na deteção, prevenção e encaminhamento
O dentista pediátrico deve realizar uma anamnese exaustiva da criança, verificando o que come e quais são os seus hábitos de higiene oral, como respira e se há dor, infeções ou traumatismos nos dentes, além de avaliar fatores nutricionais e sistémicos, para identificar problemas que exijam encaminhamento ou colaboração interdisciplinar.
Para tal, é fundamental dispor de protocolos de encaminhamento claros, baseados na manutenção de uma boa comunicação entre os profissionais, e cumpri-los. Os relatórios devem ser concisos e bem estruturados, incluindo achados clínicos, avaliações de risco e recomendações para que os cuidados de saúde oral sejam completos.
Além disso, como já referimos anteriormente, o dentista pediátrico também se encarrega de ensinar pais e cuidadores a manter uma boa higiene oral. Estabelecem-se hábitos desde o aparecimento do primeiro dente, oferecem-se conselhos sobre alimentação e consumo de açúcar e sobre como reconhecer sinais de alerta precoce: alterações na respiração, problemas de oclusão, dor dentária, etc. Assim, a família passa a tornar-se parte ativa nos cuidados de saúde dos seus filhos.
Em suma, a odontopediatria desempenha um papel fundamental no desenvolvimento geral e na nutrição infantil, sendo a sua colaboração com pediatras, nutricionistas, ortodontistas e outros especialistas um grande benefício para a saúde dos mais pequenos. A prevenção e o diagnóstico são mais eficazes e evitam-se problemas futuros com determinados tratamentos e a participação ativa da família, para que as crianças adquiram hábitos de higiene oral saudáveis em casa.

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